Cerca de 75% dos dados do Search Console são incompletos. Entenda os filtros e limitações da ferramenta
Você já percebeu que uma parte significativa dos dados do Google Search Console (GSC) pode estar invisível? Estima-se que entre 50% e 75% das consultas que geram tráfego não aparecem no GSC, o que pode causar confusão e afetar a tomada de decisões. Uma pesquisa da Ahrefs realizada em 2025 revelou que 46% das consultas que geram cliques não são exibidas, e um estudo feito por Kevin Indig em 2026 apontou que essa cifra pode chegar a impressionantes 75% de dados ausentes.
Embora essas lacunas sejam conhecidas, elas não afetam todos os sites da mesma forma. No entanto, para domínios maiores, isso pode ser um desafio significativo. É importante ressaltar que isso não significa que você deva descartar o uso do GSC, pois a ferramenta ainda oferece informações valiosas.
As limitações nos dados do Search Console
As limitações nos dados do GSC podem ser divididas em três categorias principais: limitações internas, mudanças no ecossistema do Google e fatores externos que influenciam os dados.
Limitações internas
As limitações internas referem-se a filtros aplicados pelo próprio Google, que restringem os dados disponíveis para os proprietários de sites. As principais limitações incluem:
- Relatórios com no máximo 1000 linhas;
- Armazenamento de dados por apenas 16 meses;
- Uso de amostragens em vez de dados totais;
- Filtros de privacidade que omitem as consultas anônimas, ou seja, termos raramente pesquisados.
As consultas anônimas são frequentemente citadas como uma das principais causas dessas lacunas.
Mudanças no Google
Kevin Indig sugere que a evolução do Google ao longo do tempo tornou o Search Console menos confiável. Em 2025, três mudanças significativas foram destacadas:
- Em janeiro, foi lançado o SearchGuard, que diferencia acessos de bots e humanos;
- Em março, as AI Overviews começaram a aparecer com mais frequência, resultando em um aumento de impressões e uma queda generalizada de cliques;
- Em setembro, o Google removeu o parâmetro num=100, utilizado por ferramentas de terceiros para rastrear a pesquisa orgânica, causando uma necessidade de adaptação que também influenciou o número de impressões.
Essas mudanças indicam que os dados do GSC não refletem com precisão o comportamento real das pessoas.
Fatores externos
Além das limitações internas e das mudanças do Google, fatores externos, como a crescente influência da inteligência artificial (IA), afetam a forma como as informações são pesquisadas e consumidas. Por exemplo:
- No Search Console, todas as citações aparecem na mesma posição, mas na prática, ser o primeiro ou o último mencionado pode fazer uma grande diferença;
- Muitas impressões são geradas por bots, dificultando a detecção de sua origem;
- Certain recursos do Google, como as AI Overviews e o Modo IA, não são especificados no Search Console.
As consultas anônimas
Uma parte significativa dos dados ausentes no GSC está relacionada às consultas anônimas, que são aquelas que não são feitas por um número significativo de usuários em um determinado período. O Google define essas consultas como aquelas que não alcançam várias dezenas de pesquisas em um intervalo de dois a três meses. Para proteger a privacidade, essas consultas não aparecem nos dados de desempenho da pesquisa.
Essas consultas geralmente são de cauda longa e se alinham com a forma como as pessoas interagem com as IAs, utilizando frases completas em vez de termos gerais.
As limitações de privacidade do GSC que escondem 75% das consultas
Kevin Indig conduziu uma análise em 4 milhões de cliques e 450 milhões de impressões de sites B2B nos Estados Unidos, utilizando dois endpoints de API. Uma coleta de dados agregados e outra de consultas específicas permitiu observar a diferença em impressões e cliques e calcular a taxa de filtragem. A média mostrou que 75% das impressões foram filtradas, variando de 59% a 93% dependendo do site. Além disso, cerca de 38% dos cliques também foram filtrados, indicando que o GSC não reporta um terço dos cliques dos portais.
Outras discrepâncias de dados
Além dos filtros de privacidade, a influência da IA e dos bots também resulta em dados do GSC que não correspondem à realidade das pesquisas. Por exemplo:
- Em março, as impressões aumentaram 58% devido às AI Overviews;
- Em julho, houve um crescimento de 25,3% em impressões, enquanto em agosto, o aumento foi de 54,6%, ambos causados por tráfego gerado por bots;
- Em setembro, as impressões caíram em 30,6%;
- Desde o início do experimento, os cliques caíram mais de 50% devido aos resumos de IA.
Qual a consequência dessa inconsistência?
A ausência de dados pode não impactar diretamente os resultados, mas pode levar a erros na tomada de decisões. Se você depender exclusivamente do GSC, pode ter uma visão distorcida do seu site, dificultando a compreensão de quais impressões são reais e quais não são.
Para sites menores, essa situação pode ser menos crítica, pois muitas vezes há espaço para crescimento e o volume de dados exibido tende a ser mais confiável. No entanto, em projetos maiores, a complexidade aumenta, e a análise deve ser mais cuidadosa.
Por que os dados do Search Console são diferentes do Analytics?
O Search Console e o Google Analytics analisam métricas distintas, utilizando metodologias e fontes de dados diferentes. O GSC avalia o que acontece na pesquisa do Google, enquanto o Analytics mensura o comportamento dos usuários dentro do site, oferecendo detalhes sobre sessões e conversões.
Portanto, é essencial não abandonar o GSC, pois ele fornece informações úteis, como erros de indexação e detalhes sobre o rastreamento. No entanto, confiar unicamente nessa ferramenta pode ser arriscado, considerando que a maioria das impressões e cliques pode estar filtrada.
O mais indicado é ter diversas fontes de dados à disposição, como GA4, Search Console e ferramentas de SEO de terceiros, para uma visão mais robusta e precisa. Caso você precise de suporte para entender melhor os dados do seu site, considere consultar especialistas em SEO.
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